28 de abr de 2009

HQ - WE3 - Grant Morrison e Frank Quitely




O escritor Grant Morrison e o artista Frank Quitely contam a inesquecível história de três inocentes animais domésticos - um cão, um gato e um coelho - a qual foram convertidos em ciborgues mortais por um sinistro programa de armas militar.

(Traduzido livremente por mim em 28-04-09 de Vertigo)

27 de abr de 2009

Nos vemos lá!



Mais informações: www.manifesta.kit.net

Fui gentilmente convidado pelo Adote um Gatinho. Eu vou. Aguardem o registro fotográfico.

Se atacarmos o problema na raiz, o CCZ deixa de existir. Esterilize seu animal! Evitar isso é ignorância, permitir a reprodução indiscriminada de animais é BURRICE. A não ser que você goste de ver o sofrimento alheio.

Esterilize. Castre. Cape. Impossibilite que seu animal se reproduza. Isso só traz benefícios. E se todos fizerem isso... O CCZ deixa de ter função.

Claro, existem também os que abandonam os animais. Os VERDADEIROS animais dessa história. Bom, a crueldade humana não tem limites, assim como a falta de noção. Esse planeta é uma falta de noção máxima. E tentar entender isso deixa louco.

Te encontro lá.

26 de abr de 2009

HQ - Hellblazer - 01 ao 23





John Constantine. O mago canalha. A personagem mais maldita dos quadrinhos. Adoro Hellblazer. A vida maldita de Constantine e os malditos que cruzam seu caminho criam um universo único. Hellblazer foi a porta de entrada para o mundo dos quadrinhos adultos. O mais interessante desta história toda foi o "nascimento" de John Constantine.

Alan Moore criou essa personagem para atender ao pedido de dois amigos, que inclusive queriam que  a mesma se parecesse com o Sting. "Nascido" como um mero coadjuvante do Monstro do Pântano, John Constantine conquistou uma revista própria.

Aprecie a jornada!

Agradecimentos à todos envolvidos no Vertigem, no Rapadura e no F.A.R.R.A., a oportunidade de ter em digital o que tenho em papel.

23 de abr de 2009

HQ - Marvel Especial nº 05 - Surfista Prateado (1988)





Ao pôr-do-sol, olhe para o céu e procure o brilho mais distante. 

Imagine-se então, como alguém capaz de suportar o frio do espaço  e navegar entre os asteróides, sentindo a poeira cósmica tocar em seu rosto. 

Imagine-se como alguém dotado da mais pura das almas e desprovido das falsidades e crueldades humanas. 

Imagine-se como alguém cujo futuro se encontra entre as estrelas, mas está condenado pelo destino à passar o resto dos seus dias aprisionado num mundo primitivo e cheio de violência.

Imagine-se esse alguém. 

Imagine-se o Surfista Prateado!

(Del Manto, Leandro Luigi - retirado e adaptado da página 3 da obra em questão)

21 de abr de 2009

Cinema - Banzai, "Beat" Takeshi!




Fui apresentado ao trabalho de Takeshi Kitano em 2001, através do filme "Brother". Esse,  tive o privilégio de assistir no cinema. Que filme! A partir daí, comecei a procurar mais coisas onde pudesse ver Kitano em ação.

Todos seus filmes são fortes, densos, carregados. "Carregadaços", diria eu, pessoalmente. Kitano consegue provocar um estado de suspense, uma tensão, muito diferente da que estamos acostumados à sentir. Ouso dizer que ele consegue transformar o filme num "mangá", porém com personagens reais e não "cartoons". Apesar que suas personagens são "cartoon-nianas".

Bom, deixa de papo e vamos à lista do que já vi deste "cara" fantástico: (na ordem em que foram vistos)

Brother - A Máfia Yakuza em Los Angeles (2000)

Gosto tanto deste filme que tenho o DVD original. Elenco competente! Kitano escreveu, atuou e dirigiu. Detalhe: chegou aos cinemas por aqui, apesar do restrito circuito em que apareceu, porque foi com este filme que Kitano "entrou" no mercado de Hollywood. A atuação de Omar Epps é outro ponto de destaque. A maneira como sua personagem é apresentada e se desenvolve na trama da história, é surpreendente! PS: A trilha sonora é Joe Hisaichi, o mesmo de "Princesa Mononoke".



Dolls (2002)

Este é um dos mais belos filmes que tive o prazer de ver. E um dos mais tristes também! Três histórias, contadas de uma maneira peculiar. Bem ao estilo Kitano. Densas. Profundas. Assustadoras, posso até dizer. Mas ao mesmo tempo, encantadoras, donas de uma beleza extraordinária! Paradoxos visuais magistralmente concebidos e apresentados. As histórias são trágicas, mas a fotografia do filme é tão bela... Verdadeira loucura.



Blood & Bones (2004)

Sem dúvida, meu preferido. Acredito ser o filme com a melhor atuação de Kitano. "Carregadaço". Uma história densa, difícil, forte. A postura peculiar de Kitano confere a essa personagem uma imagem aterradora. A frieza que a personagem demonstra a torna um monstro. Digna da interpretação monstruosa de Kitano.



Zatoichi (2003)

Até agora, o filme mais divertido que assisti onde Kitano atua. Também é sua a direção. Mas é impressionante sua atuação como cego. Como entusiasta do teatro, sei que para um ator, interpretar um cego e conferir veracidade à personagem é um desafio e tanto. Novamente vem Kitano com uma atuação magistral. E com histórias carregadas e bem contadas.


Ainda falta muita coisa para assistir produzido por este japonês fantástico. Mas acredito que estes filmes listados acima sejam as peças "mestras" na carreira de Kitano.

Arrisco dizer ainda que os filmes de Kitano vão influenciar muito novas obras de novos cineastas. A maneira como a narrativa é conduzida nos filmes que Kitano dirige são únicas, haja vista Brother, Zatoichi e Dolls.

Para quem quiser saber mais sobre "Beat" Takeshi Kitano, recomendo seu site oficial.


19 de abr de 2009

HQ - Superman vs. Apocalypse - A Revanche




Download - Nº 01Nº 02 Nº 03

Sinopse: Após morrer e ressuscitar, Super-Homem ainda sente algo remoendo em seu interior. Essa sensação o leva a procurar respostas a respeito da abominável criatura Apocalypse, que desperta de seu sono, à deriva, no espaço...

... esta é uma série interessante para quem quer ver uma aventura em que Kal-El é menos Super e mais homem.

(retirado de Universo HQ)

18 de abr de 2009

HQ - O Retorno do Superman




Download - Vol. 1 - Vol. 2 - Vol. 3

Sinopse: O mundo é arrebatado pela notícia de que não um, mas quatro pessoas reivindicam ser o Super-Homem ou sucessores de seu legado.

O Homem do Amanhã, que também ficaria conhecido como Superciborgue, é um ser cibernético com apenas uma pequena fração de seu corpo coberta por tecido e os 70% restantes são compostos por uma liga metálica Kryptoniana.

Além de ter o código genético de Kal-El em sua parte orgânica, possui memórias vagas sobre a fazenda Kent. Além disso, é o único a usar o padrão original do uniforme. 

O Homem de Aço é John Henry Irons, um trabalhador braçal que, na verdade, é um gênio da tecnologia militar que se vê impelido a manter vivo o legado do Super-Homem e é o único a negar ser o herói.

Superboy é o resultado dos experimentos do Cadmus com o corpo do Super-Homem durante a minissérie Funeral para um Amigo, mas seria mesmo ele um clone de Kal-El?

O Último Filho de Krypton é idêntico ao Super-Homem em fisionomia, mas suas roupas seguem um padrão kryptoniano; e não se parece em nada com o defensor de Metrópolis no tocante à moral, apresentando-se como um justiceiro desalmado ao punir criminosos durante suas missões. Ele conhece a verdade sobre a dupla identidade de Clark Kent e seu envolvimento amoroso com Lois Lane.

Esses quatro indivíduos dividem as opiniões do público e dos amigos íntimos do finado herói, inclusive sua noiva Lois Lane. Afinal, teria ele voltado dos mortos? Seria um desses misteriosos seres o kryptoniano ressuscitado e "melhorado"? Como teria Kal-El vencido a morte após os eventos mostrados em Super-Homem - Além da vida?.

Enquanto isso, os rumores sobre a morte de Apocalypse, o monstro que matou o Super-Homem, parecem ter sido exagerados.

(retirado de Universo HQ)

HQ - Superman: Além da Morte





Sinopse: Diante da necessidade de um novo defensor para Metrópolis, Lex Luthor II reativa a Equipe Luthor, criada após Invasão, no período em que o Super-Homem se exilou no espaço, e a entrega sobre o comando da Supermoça.

E faz isso com uma pesada campanha publicitária, para convencer as autoridades municipais a lhes darem a mesma liberdade de ação concedida ao finado Homem de Aço. Mas a inexperiência da equipe, que em sua primeira missão é chefiada pelo próprio Luthor, pode causar sérios resultados. 

Vida após a morte - Durante o infarto que o fulminou no último número de Funeral para um amigo, Jonathan Kent tem uma experiência extracorpórea no limbo que divide o mundo dos vivos e dos mortos, onde precisa lutar para salvar não apenas sua alma, mas também a de seu amado filho, vítima do engodo de demônios.

Enquanto isso, Metrópolis e a Terra presenciam estarrecidos enquanto não um, mas quatro indivíduos clamando ser o Super-Homem entram na ativa.

(retirado de Universo HQ)

17 de abr de 2009

HQ - Superman: Funeral para um amigo




Download - Nº 01Nº 02Nº 03Nº 04

Sinopse: O primeiro herói do planeta jaz sem vida ao lado de seu assassino, em meio a uma Metrópolis arrasada física e espiritualmente pela sua batalha. O mundo (inclusive os pais adotivos do Homem de Aço) assiste enquanto a equipe de paramédicos tenta ressuscitá-lo. Infelizmente, é tudo em vão e resta ao planeta chorar a morte de seu grande campeão.

Entre os desdobramentos do trágico clímax do embate entre Super-Homem e Apocalypse, o caos se instala em Metrópolis e a equipe do Cadmus tenta reaver o corpo do kryptoniano para estudos. Algo que trará conseqüências sérias para o mundo no futuro.

(retirado de Universo HQ)

16 de abr de 2009

HQ - A morte do Superman





Sinopse: Durante sua participação no talk-show de sua amiga Cat Grant, o Super-Homem é informado que um monstro desconhecido está causando problemas no meio-oeste norte-americano. A intervenção da Liga da Justiça da América - da qual é presidente - está se mostrando incapaz de contar o avanço e o rastro de destruição insano da criatura, batizada pelo Gladiador Dourado como Apocalypse. 

Um a um, os membros da Liga caem contra a criatura, obstinada em dirigir-se para Metrópolis. E o que era apenas um chamado ocasional para deter uma ameaça se mostra bem mais sério e preocupante, quando o Super-Homem se envolve na maior batalha de sua vida. 

E o mundo viverá um de seus dias mais negros, quando perderá seu maior campeão.

(retirado de Universo HQ)

Uma aula sobre comunicação


Quem gosta de comunicação provavelmente conhece Luli Radfahrer. Graças ao Twitter, pude ter o privilégio de assistir uma "aula magna" ministrada por ele aos recém-chegados na ECA-USP.

Nessa "aula magna", Radfahrer condensa quase tudo... é incrível. Foi seguindo o mesmo caminho que caí de pára-quedas no filme Zeitgeist. Essa aula serve como uma ótima introdução ao filme. Mais uma pérola para o acervo. 

Na boa, fiquei com vontade de prestar vestibular. De novo. ECA!

Obrigado, Luli!


Em tempo: esqueci de postar o blog do Luli, segue abaixo. Confiram o post sobre a aula!



A pior invenção da humanidade


Os primatas homo-sapiens criaram um mecanismo para se locomover. Um mecanismo intrínseco e complexo, onde várias facetas do conhecimento atuam. Sim, concordo que um automóvel é uma façanha tecnólgica. Mas, a maneira como tem sido utilizado, além de ser bizarra, é contraproducente. O desenho do Pateta ilustra bem o que quero dizer.



Continuando, assista também o Sociedade do Automóvel, documentário sobre o assunto transporte.


Esses primatas são deveras engraçados... Inventam as soluções antes dos problemas... Haja vista a holografia...

O transporte estará perfeito quando não houverem carros particulares. 

Isso é uma afronta ao "bom senso". Tem certeza?

Infelizmente, o Brasil é um país pobre de espírito. Aqui, os políticos, para conseguir dinheiro, preferem fazer de qualquer jeito, que do jeito certo. Para instalarem fábricas multinacionais (de automóveis)  em nosso território, assinaram papéis onde se comprometeram a não construir ferrovias e sim estradas. Duvida? Procure saber quem foi Juscelino Kubitscheck.

A solução para este problema foi inventada em 1790. Tem duas rodas e em vez de motor, tem um coração.



Fica a minha pergunta:

São saudáveis moral e espirtualmente os bem-ajustados numa sociedade doente?

15 de abr de 2009

HQ - O Homem de Aço - Byrne, Giordano





Sinopse: Após a Crise nas Infinitas Terras, a origem do Homem de Aço é contada por John Byrne.

Eu poderia escrever laudas e laudas sobre o Superman. Desnecessário. Busca no Google que os resultados são satisfatórios! ;)

14 de abr de 2009

HQ - História e Glória da Dinastia Pato - Disney Especial





"Publicada pela primeira vez em 1970, a História e Glória da Dinastia Pato é considerada uma das melhores séries protagonizadas pela turma de Patópolis em todos os tempos, produzida em uma época na qual os quadrinhos Disney italianos ainda não dividiam tantas opiniões a respeito de sua qualidade." 

Encontrei esta pérola escaneada... Para publicar aqui no blog, descobri coisas que não sabia... Como o fato da mesma ter sido criada na Itália... Tive o privilégio de ler esta pérola quando foi publicada (deve estar lá no baú dos meus gibis, na casa da minha avó), portanto, garanto que não li quem foram os roteiristas, artistas, etc... Isso só veio acontecer depois que fiquei velho! :)

Fuçando na internet, cheguei ao artigo do Marcus Ramone, do Universo HQ, fonte do primeiro parágrafo deste post, onde ele realiza uma quase necrópsia no supracitado título. Junto, veio uma enxurrada de lembranças com o artigo sobre a História de Patópolis

Para os saudosistas de plantão se deliciarem!

11 de abr de 2009

HQ - Vimanarama - Morrison, Bond




Downloads - Nº 01Nº 02Nº 03

Uma das minhas HQs preferidas. A arte é um espetáculo à parte. O roteiro, muito bem elaborado. Comentários por aí a chamam de genial. Se você ainda não conhece Grant Morrison, embraque na leitura psicodélica de Vimanarama, eu recomedo, diversão garantida. 

9 de abr de 2009

HQ - A Sombra das Torres Ausentes - Art Spiegelman



Sinopse: Art Spiegelman, o único artista a ganhar um prêmio Pulitzer com uma história em quadrinhos (a espetacular Maus), volta a produzir um livro em forma de HQ, para tentar retratar o que se passou com os estadunidenses após os atentados de 11 de setembro de 2001, que mataram mais de três mil pessoas.

Bem diferente da imensa maioria dos cidadãos dos Estados Unidos, Spiegelman faz uma crítica contundente a George W. Bush e seu modelo de governo, e também à xenofobia que tomou conta das pessoas, em relação a outros povos.

(retirado e editado de Universo HQ)

Vídeos - Música - Jason Marz, Bajofondo Tango Club e Beirut



Jason Marz - I´m Yours

Easy-listening. Agradável, leve, por pouco não fica pasteurizada. Explorada ao máximo, virou tema de propaganda. Quando ouço esta música, ela me remete à muitas fontes simultâneas.  Os primeiros 20 segundos da música me são velhos conhecidos... Só não consegui descobrir de onde... Mas tudo bem, se um dia eu reconhecer, volto aqui e edito a postagem. Se alguém quiser comentar, me ajudar a esclarecer, agradeço. Essa música me soa muito parecida com outra... Que não sei qual é... Mas que tenho certeza que existe. Horrível.




Bajofondo Tango Club - Pa Bailar

Incrível o poder que a rede glóbulo de televisão tem de tornar uma coisa insuportável. Minha mãe e minha avó assistiam novelas na tv. Todo dia, mesmo horário, mesma música. Quer acabar com uma música? Use-a na abertura da novela. Ok, o artista até se dá bem. Quanto aos tele-espectadores, contentem-se com uma adaptação tosca do trabalho, apreciem só um pedacinho...

Felizmente o "advento" internet tornou impossível esconder fontes. Fiquei surpreso perante a qualidade do vídeo e do som produzido por nossos vizinhos! É incrível o distanciamento cultural da américa latina! Impressionante!




Beirut - Elephant Gun

É, confesso que assisti à Capitu. E gostei. Muito mais da música. Uma verdadeira Ode à Bebedeira!

(fonte: Uol Mais)

8 de abr de 2009

HQ - Marvel - What If - Nº 01







Uatu, às vezes chamado simplesmente de O Vigia é uma personagem de histórias em quadrinhos da Marvel Comics. Criado por Stan Lee e Jack Kirby, sua primeira aventura foi na revista Fantastic Four Volume 1 #13 (Abril de 1963). Ele é um alienígena, cuja espécie é chamada de "Vigias".  Apareceu como narrador da série "What If" (br.: O que aconteceria se...), criada por Roy Thomas, no qual apresentava versões das aventuras e de personagens conhecidos, colhidas das inúmeras dimensões que compõe o Multiverso Marvel. Foi numa dessas aventuras que apareceu pela primeira vez vivo o clone do Homem-Aranha, que voltaria em "Saga do Clone".

Aproveito também para dizer que a revista está em inglês. É uma ótima maneira de treinar o idioma.

(retirado e parcialmente editado da wikipedia)

7 de abr de 2009

Música - Paulo Napoli - Coletânea Raps de Verão, Vol. III




A sigla RAP é, pelo inglês, originária das iniciais de Rhythm And Poetry - Ritmo e Poesia. Rap é o discurso rítmico com rimas. Rap é um dos elementos da música e cultura hip hop. 
Isso é o que diz na wikipédia. Tem mais lá, se você quiser.

Conheci Paulo Napoli em 1998 / 1999, por aí, não me prendo à datas, tipo, nos conhecemos do dia x de dezembro, na cidade tal, na latitude y, longiyude z, as 16:00 horas. Desnecessário. O importante, é que estávamos envolvidos com a mesma coisa e nos conhecemos. Fui apresentado à ele no estúdio do Ganjaman, num ensaio do Mamelo. A música era essa: (lembra, Napoli?)



Também houve um CD: ( + informações)

Atualmente, apesar do pouco contato, Paulo Napoli vem desenvolvendo uma linha de ação muito interessante e peculiar. Reunindo diversos artistas, de diversas regiões do país, consegue criar um mosaico que atualmente até pode passar despercebido no mainstream, mas que será objeto de pesquisa para as gerações futuras. Me lembra muito o trabalho que foi feito no começo do século XX nos EUA, com os cantores de blues...

Seu trabalho é um apanhado geral num caldeirão cultural fervilhante... Uma concha de um guisado musical forte e substancioso, cujo conteúdo é diamante em estado bruto. Mixagem à cargo do Dj Nutz, competente! Deleitem-se!




+ sobre Paulo Napoli e as coletâneas Raps de Verão:

Blog


HQ - Fagin, O Judeu - Will Eisner





Sinopse: Personagem-chave de Charles Dickens, Fagin é um judeu que vive na Inglaterra do século XIX. Nascido pobre, passa por dificuldades a vida toda até se envolver com um jovem chamado Oliver Twist.

Review por Eduardo Nasi: 

Quem tem direito de corrigir um clássico? Essa pergunta tem sido repetida à exaustão nos Estados Unidos nos últimos vinte e poucos anos. De um lado, defensores de minorias, que conseguiram expurgar do currículo escolar peças de William Shakespeare que continham insinuações racistas. De outro, intelectuais como o crítico literário Harold Bloom, que perguntava que tipo de idiota poderia pensar em proibir jovens de lerem o autor de Romeu e Julieta, Rei Lear e tantas outras.

Em tese, bastaria um professor dizer que preconceito era errado e que tinha sido escrito em uma época com outro contexto, servindo até mesmo para dizer que a humanidade já errou uma vez ao aceitar o preconceito. Os dois lados, claro, não chegaram a um consenso.

E, pouco antes de morrer, um cânone dos quadrinhos resolveu entrar na briga. Will Eisner, criador do Spirit, do termo graphic novel e de algumas das melhores HQs de que se tem notícia, resolveu justificar a sem-vergonhice de um velho personagem de Charles Dickens.

Dickens é um dos grandes romancistas ingleses. Sua obra é grandiosa e encantadora. Oliver Twist, história de um jovem herdeiro que sofre os diabos nas mãos de um judeu ladrão chamado Fagin, é um de seus romances mais conhecidos e amados pelo público. A princípio, dispensa defesa.

O Fagin de Dickens, criado dois séculos antes da onda politicamente correta, é um judeu caricato e estereotipado. Não só ele: naquela época, judeus no mundo inteiro eram tidos como uma desgraça. Pra começo de conversa, tinham mandado matar Jesus Cristo.

Para Eisner, Fagin é um paradigma do preconceito e um fator difusor da sórdida visão que se tinha dos judeus. Refletiria até os dias de hoje. E então o autor de Spirit resolveu, se não consertá-lo, dar-lhe um passado de maus tratos que justificaria os crimes da maturidade.

Na pior das hipóteses, seguindo a linha de Bloom (por sinal, judeu), o enredo de Eisner é uma grandessíssima bobagem. Na melhor, não passa de um exercício de criação tolo, que virou uma bela trama, até porque o autor foi um contador de histórias inigualável. Mas culpar Rebecca Lopez pela desgraceira de Fagin e, de lambujem, de Oliver Twist, já é forçar um tanto a barra.

Fagin é, sim, um personagem que reflete seu tempo. Não apenas socialmente, como produto do contexto londrino, mas também de uma época em que não se tinha problema em ser preconceituoso. Seu retrato tenebroso, compartilhado até mesmo com exemplos que Eisner apresenta em um posfácio, é um símbolo de uma época que se torce para que não volte mais.

Lido deixando de lado apegos a paixões literárias, Fagin, o Judeu, é uma das mais extensas das obras recentes de Eisner. Também é a que mais se aproxima literariamente de um romance - fazendo um paralelo, o velho mestre vinha privilegiando os contos. Tem um desenho soberbo, em que a textura do papel aparece na pintura da impressão. A edição da Companhia das Letras, como sempre, é impecável, bem como a deliciosa tradução de André Conti.

(retirado de Universo HQ)

6 de abr de 2009

Tatiana Belinky - A fada das palavras




Esta simpática senhora, que já é nonagenária, é uma das escritoras que mais admiro. Com maestria, adaptou toda a obra de Monteiro Lobato para a televisão. A primeira versão do Sítio do Pica Pau Amarelo, exibida pela extinta TV Tupi, foi uma adaptação em que ela criou, junto com Júlio Gouveia.

Tive o prazer de me emocionar com seu depoimento num programa de tv a cabo, a qual o nome e o canal não me recordo, em que assisti depoimentos de imigrantes russos vivendo em São Paulo. Tanto os imigrantes quanto seus descendentes. Me interessei, pois convivi com um Ucraniano por um tempo, são pessoas de uma inteligência ímpar, despertou meu interesse. Eis que no programa me deparo com ela, Tatiana.

A televisão é ruim, a considero ruim, é muita informação visual e sonora, captamos tudo mas só recordamos fragmentos, quando recordamos. E olha que minha memória é boa. Para as coisas que leio e entendo. Agora, o que vejo na caixa-mágica... Na caixa-mágica fica. Por isso prefiro os livros. Tatiana define os livros da seguinte maneira: "Sempre digo aos pequenos que o livro é um objeto mágico, muito maior por dentro do que por fora. Por fora, ele tem a dimensão real, mas dentro dele cabe um castelo, uma floresta, uma cidade inteira... Um livro a gente pode levar para qualquer lugar. E com ele se leva tudo."

E com ele se leva tudo. Nada mais à dizer. Tatiana Belinky é hoje uma escritora premiada de livros infantis. Não li nenhum dos livros dela, mas pelo que pude constatar acerca do conhecimento que essa sábia anciã possui, tenho certeza que são livros importantes. Se existe uma pessoa em que eu teria dificuldades em controlar a emoção de conhecer, é Tatiana. Eu adoraria tomar o chá das 17:00 com ela. Sou descendente de imigrantes e nunca achei meu lugar nesse mundo. Infelizmente não tive contato com os imigrantes da minha família, a "educação" que me foi passada já sofrera modificação... Por que tenho a sensação de ter nascido em época errada?

Eu me recordo bem da Tatiana ser questionada no programa, tipo: Se você não fosse Tatiana Belinky, quem gostaria de ser. A resposta foi fulminante, sem ao menos pensar para falar. Emília. A boneca-gente. A personagem que ela teve tanto carinho em adaptar para a tv. E que falava o que pensava e fazia o que queria. E era mágica. :)

A mágica da vida se perdeu no ser humano, que busca fora de si respostas que se encontram nos recônditos da mente. Ler, nada mais é do que penetrar a mente de outra pessoa. E existem mentes que são deveras encantadoras. Tatiana é uma delas.

"Porque, para quem sabe prestar atenção em cada pequena coisa que acontece - ou não acontece, é só pensada ou imaginada -, a vida de todos os dias é cheia de coisas bonitas, alegres, tristes, intrigantes, interessantes...É só cada um usar os seus "olhos de ver", sabiam?" (Tatiana Belinky)

Nesta frase, Tatiana me lembra Saramago. "Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara." Sábio conselho.

É isso!

ADENDO 17/06/2013

A escritora de livros infantil-juvenis Tatiana Belinky, de 94 anos, faleceu na tarde deste sábado (15) no Hospital Alvorada, em São Paulo, após 11 dias internada.

RIP Tatiana!

Referências:

Apresentando: Meninos e Meninas


De The Pyrographer

5 de abr de 2009

O casamento do meu melhor amigo




Conheci o Álvaro nos longinquos 1989. Há 20 anos atrás... Utabetaquiu! Faz tempo!

Ainda consigo me lembrar de tudo... Incrível, parece que aconteceu ontem... Foi o Álvaro que me apresentou o windows. Na época, meu computador ainda era um PC XT. Primórdios da informática. Minha impressora era um trambolhão, uma Prologica P-500, de 80 colunas. Ah, havia resistência da parte dos professores em aceitar trabalhos digitados no computador. Disso também me lembro.



Memórias à parte, ontem ele casou. Que fique registrado meus cumprimentos. Cerimônia impecável, festa impecável, uma comemoração e tanto. Reencontrar velhos amigos foi uma emoção à parte. Agora é esperar seu retorno para retomar as velhas amizades.


Júlio, Anderson, Eu e o Alexandre (faltou o Álvaro para completar a turma, mas ele estava ocupado, era o noivo)

Esta é a turma do bilhar... Toda sexta, lá no Tigrão. Há quantos anos não nos víamos? É, foi um dia especial.

Obrigado Al. Te desejo de coração toda a felicidade do mundo e muita força irmão, você merece. Parabéns!

4 de abr de 2009

Música - Skank - Ainda Gosto Dela



Parceria perfeita. Tanto a composição de Samuel Rosa com o Nando Reis como a interpretação do Skank e a participação da Negra Li. Fantástico o resultado. Apreciem!

HQ - Um Sinal do Espaço - Will Eisner




Sinopse: Em plena guerra fria, um observatório de radioastronomia estadunidense recebe um sinal de rádio do espaço. Nele, descobre-se uma seqüência de números primos.

A partir de então, têm início várias intrigas políticas, pessoais e morais.

(retirado de Universo HQ em 04/04/2009)

Minha obra preferida Eisner. O enredo mais encantador e denso que encontrei deste autor, sem sombra de dúvida, um mestre, um gênio. Deguste-a!

3 de abr de 2009

HQ - O Nome do Jogo - Will Eisner



Sinopse: Três famílias de imigrantes judeus, os Arnheim, os Ober e os Kayn, todos descendentes, lutam por status e poder, sempre ancorados em casamentos arranjados.

Enquanto o rico busca assegurar o futuro da família por meio do casamento e de herdeiros; os menos afortunados o utilizam para obter riqueza e posição social.

O personagem central da trama é Conrad Arnheim, o herdeiro rude, mulherengo e egoísta do bem-sucedido negócio de vestuários da sua família.

As mulheres que suportaram estar casadas com ele tiveram entrada garantida no mundo da rica sociedade de Manhattan, mas a que preço?

Review: Criador do Spirit, inventor do termo graphic novel, mestre da arte seqüencial. Estas são apenas algumas formas usadas para definir Will Eisner. Mas nenhuma delas consegue contemplar a dimensão de seu talento.

O Nome do Jogo é prova disso. A história mostra as muitas degenerações do "Sonho Americano" e como o casamento é utilizado, há muito tempo, para obtenção de vantagens sociais.

À primeira vista, você pode pensar que, por tratar-se de um tema "batido", a história seja enfadonha. Errado! E é justamente nesse aspecto que Eisner mostra por que é diferente, genial. Ele consegue manter o leitor preso às páginas, afoito para saber como será o desfecho da trama. E um livro 176 páginas é "devorado" em menos de uma hora!

Qual a receita? Will Eisner sabe como pouquíssimos retratar, nos quadrinhos, a vida comum. É um autor que trabalha bem demais a emoção dos personagens, o que acaba envolvendo o leitor na trama. Parece simples, mas se fosse fácil copiar o que ele faz, já teriam surgido vários na sua trilha.

Aos 86 anos, o "pai" do Spirit continua atualíssimo, produzindo e cada vez mais idolatrado, especialmente pelos grandes nomes dos quadrinhos. Não há prova maior de reverência!

Sua narrativa, a forma como a história flui por seus quadrinhos, é algo ímpar. Há artistas "top" do mercado que nem sequer passam perto da ousadia que Eisner adota na diagramação e nas "tomadas de câmera" de suas cenas.

Assim, o leitor vai sendo conduzido pela trama de O Nome do Jogo. Há momentos, em que se quer esganar Conrad Arnheim, por causa de suas falcatruas. Em outros, no entanto, é inevitável sentir pena do personagem, devido às agruras que a vida lhe impôs.

O álbum é um retrato fiel - e cruel - de como o casamento é utilizado como ferramenta de ascensão social. E, apesar de a história começar em 1900, não é difícil enxergá-la nos dias que correm.

A edição da Devir está caprichadíssima, com destaque para a impressão em sépia (dá um tom clássico à arte) e ao verniz em alguns pontos da capa. Apenas um erro de digitação, na página 87, na frase "... e vou contunuar sendo". Claro, o verbo é continuar.

(retirado de Universo HQ em 03/02/2009)

Os perigos do Google como único filtro da realidade


Silvio Mieli


"No início do terceiro milênio, estamos diante de uma situação única na história, que faz com que uma corporação privada da América determine a maneira pela qual buscamos informações". Assim começa a primeira parte da "Pesquisa sobre os perigos e oportunidades apresentados pelos programas de busca na internet (Google, em particular)", desenvolvida ao longo do ano passado pelo Instituto de Sistemas da Informação e Computação da Universidade de Tecnologia de Graz, na Áustria. O projeto foi coordenado pelo Prof. Hermann Maurer e financiado pelo Ministério austríaco dos Transportes, Inovação e Tecnologia – o estudo completo pode ser baixado aqui:http://www.iicm.tugraz.at/iicm_papers/dangers_google.pdf

 

A pesquisa questiona uma atitude natural dos usuários da internet: procurar qualquer coisa naquele retângulo mágico do buscador Google. Se não aparecer nada talvez "a informação que buscamos efetivamente não exista". Será?

 

O objetivo do trabalho, cujos resultados foram pouco divulgados pela mídia corporativa, é demonstrar o comportamento monopolista da empresa Google, além de denunciar o que os pesquisadores chamaram de "Síndrome Google de Copiar e Colar". Trata-se da emergência de uma geração de "pesquisadores" que limitam-se a fazer uma colcha de retalhos de informações pinçadas no Google, travestidas de trabalhos escolares ou acadêmicos, sem ao menos citar as fontes.

 

A apresentação da pesquisa austríaca vai direto ao ponto: "para qualquer um que encare a questão fica claro que o Google acumulou um poder que acabou se constituindo numa ameaça à sociedade", já que transformou-se na principal interface entre a realidade e o pesquisador na internet. O Google tem o monopólio dos programas de busca e invade massivamente a privacidade das pessoas. Sem enfrentar limitações de qualquer natureza, o Google conhece particularidades dos indivíduos mais do que qualquer outra instituição, "transformando-o na maior agência de detetives do planeta". A influência do Google na economia é direta, principalmente na maneira pela qual os anúncios são exibidos (quanto mais a empresa pagar, maior visibilidade o anúncio terá). Aliás, parte do seu faturamento, superior a 16 bilhões de dólares em 2007, deve-se à sua estratégia de publicidade online através dos links patrocinados.

 

Hierarquia

 

Desde o primeiro programa de buscas na internet, o Altavista, lançado em dezembro de 1995, vive-se a sensação do dado bruto transformar-se em conhecimento, em informação viva. Com o aparecimento do Google, fundado em 1998 pela dupla Larry Page e Sergey Brin, jovens doutorandos da Universidade Stanford, na Califórnia, passou-se para um outro patamar de programas de busca. Brin definiu que as informações na web deveriam ser organizadas numa hierarquia de popularidade. Ou seja, quanto mais um link leva a uma página específica mais a página merece ser ranqueada nos resultados do programa de busca. Outros fatores, como o tamanho da página, número de mudanças, atualizações constantes, títulos e links no texto foram incluídos na programação (algorítmo) do Google. Lentamente o programa implantou um processo de hierarquização das informações que passou a ser aceito sem contestações. Em março de 2007 o Google atingia 53,7% do mercado dos buscadores da rede (segundo dados da Nielsen/ NetRatings).

 

Considerando-se que muitas das informações que circulam na internet partem de indicações do Google ou da Wikipédia (a grande enciclopédia de conteúdo "aberto" da internet), Stephan Weber, co-autor do projeto da Universidade de Tecnologia de Graz, denuncia uma espécie de "Googlarização da realidade", já que existem fortes indícios que o Google e a Wikipédia operam a partir de uma espécie de parceria. Os pesquisadores escolheram ao acaso 100 verbetes em alemão e outros 100 em inglês do índice de A a Z da Wikipédia e colocaram estas palavras-chave em quatro grandes programas de busca (Google, Yahoo, Altavista e Live Search). O Google registrou 91% dos resultados das entradas da Wikipedia (em alemão). Para os sites em inglês os resultados atingiram 76% de registros no Google. "Parece evidente que o Google está privilegiando os sites da Wikipedia em seu ranque", concluiu a pesquisa, seguida pelo Yahoo (56% em alemão e 72% em inglês).

 

Plágio

 

A segunda seção da pesquisa dedica-se à emergência de uma nova técnica cultural e suas implicações sócio-culturais: o plágio (a tal síndrome do "Copiar e Colar") e suas relações com os conceitos contemporâneos de propriedade intelectual. O estudo cita o caso de um ex-aluno de psicologia da Universidade Alpen-Adria de Klagenfurt, na Áustria, que elaborou a sua tese de doutorado com mais de cem fragmentos copiados da internet. As primeiras páginas da tese eram uma colagem de vinte sites, muitos dos quais sem o menor rigor científico. Diante do plágio, a universidade passou a aplicar um software alemão de detecção de cópias chamado Docol©c (http://www.docoloc.de/), cujos resultados ainda estão sendo testados.

 

A proposta prática da pesquisa é a de reduzir a influência do Google a partir do desenvolvimento de outros programas de busca especializados, desvinculando a hierarquia comercial do livre fluxo de dados públicos que circulam pela internet.

 

Assim como o estadunidense Gerg Venter, dono da empresa Celera, pretende mapear o código genético de tudo o que é vivo para patentear e vender, o Google parece querer codificar todas as informações circulantes no planeta, segundo critérios que nem sempre privilegiam o interesse público. Mais do que enfatizar o Google como "a empresa do século 21", a Universidade de Graz presta um grande serviço ao conscientizar os internautas dos limites e perigos dessa estratégia e, ao mesmo tempo, conclama os pesquisadores a uma ação imediata que impeça a "googlalização da realidade".

 

Silvio Mieli é jornalista e professor da faculdade de Comunicação e Filosofia da Pontifícia Universidade Católica (PUC - SP).


(Fonte: Brasil de Fato, v.6, n.274, p.2, 29 de maio a 04 de junho 2008)

Alô... 1, 2, 3, Testando... Bom, vamos lá, minhas considerações acerca desta matéria, garimpada no site do meu amigo Prof. Dr. Oswaldo.

Diz o professor Sílvio:
A pesquisa questiona uma atitude natural dos usuários da internet: procurar qualquer coisa naquele retângulo mágico do buscador Google. Se não aparecer nada talvez "a informação que buscamos efetivamente não exista". Será?

Digo como técnico em informática e usuário de sistemas de informação há mais de 15 anos que quem não acha o que procura é porque não sabe procurar e não porque não existe o que ele procura. Um indivíduo que faz uma pesquisa séria, que é profissional, sabe onde procurar a informação que deseja, geralmente com a ajuda de um bibliotecário, o especialista em informação. Que com certeza, não utiliza o Google como ferramenta de pesquisa. Para isso, existem base de dados específicas, geralmente divididas em áreas do conhecimento humano. Qualquer pessoa que se aventura no meio acadêmico "descobre" isso, sinceramente, se não descobriu, ou estava dormindo na sala ou estava no bar, ocupado demais bebendo.

O objetivo do trabalho, cujos resultados foram pouco divulgados pela mídia corporativa, é demonstrar o comportamento monopolista da empresa Google, além de denunciar o que os pesquisadores chamaram de "Síndrome Google de Copiar e Colar". Trata-se da emergência de uma geração de "pesquisadores" que limitam-se a fazer uma colcha de retalhos de informações pinçadas no Google, travestidas de trabalhos escolares ou acadêmicos, sem ao menos citar as fontes.

O que aconteceu na verdade, foi uma clara visualização das distorções causadas pela educação deficiente nos quatro cantos do mundo, escancarando a ignorância e o atraso em que se encontram os indivíduos. O ser humano é ainda o que sempre foi, um animal. Digo isso baseado no fato da palavra mais buscada na internet ser sexo. Uma clara manifestação de nosso lado animalesco. E somos animais agressivos e hostis. Poucos de nossa espécie aceitam ser corrigidos. Poucos estão dispostos à aprender. A maioria permanece na inércia de estar vivo. Para que pensar, se posso copiar e colar? As bibliotecas escolares em nosso país são uma piada. As bibliotecas em nosso país são uma piada. A profissão é motivo de piada. O povo é ridículo. E a disseminação de computadores pessoais junto com a inclusão social esta escancarando uma realidade trsite: a mentalidade do brasileiro médio se mostra tão ou até pior que a do Homer Simpson.

A apresentação da pesquisa austríaca vai direto ao ponto: "para qualquer um que encare a questão fica claro que o Google acumulou um poder que acabou se constituindo numa ameaça à sociedade", já que transformou-se na principal interface entre a realidade e o pesquisador na internet. O Google tem o monopólio dos programas de busca e invade massivamente a privacidade das pessoas. Sem enfrentar limitações de qualquer natureza, o Google conhece particularidades dos indivíduos mais do que qualquer outra instituição, "transformando-o na maior agência de detetives do planeta". A influência do Google na economia é direta, principalmente na maneira pela qual os anúncios são exibidos (quanto mais a empresa pagar, maior visibilidade o anúncio terá). Aliás, parte do seu faturamento, superior a 16 bilhões de dólares em 2007, deve-se à sua estratégia de publicidade online através dos links patrocinados.

Para quem tem consciência crítica, isso realmente não configura um problema de fato. O que dá para perceber é que a maioria das pessoas que acessam a rede, principalmente depois da popularização do PC (Personal Computer, computador pessoal), é de que falta a base para criar o discernimento de saber o que presta e o que não presta. Quanto à dinheiro e maneiras de se conseguí-lo, sou radicalmente contra o monetarismo em que vivemos. Mas isso é motivo para outro post.

Sobre o restante do artigo, o que tenho a dizer é o seguinte:

O ser humano torna-se dependente dos mecanismos que cria. Exemplo? O Carro. A internet é um grande livro que está testemunhando a epopéia humana de uma maneira nunca sonhada. Ainda não houve o grande boom da internet. Este vai ocorrer quando cada indivíduo neste planeta se situar e descobrir o verdadeiro poder da rede. Não quero defender o Google, a partir do momento em que há dinheiro envolvido, as pessoas fazem coisas anti-éticas, mas parece que o objetivo do google é ser um índice para toda essa informação. Para tudo, existe um primeiro passo e o google está se tornando uma ferramenta que funciona neste sentido. Agora, se o que ele apresenta são resultados errôneos, mal escritos, sem fonte, totalmente sem noção, não acredito que a culpa seja do google, mas sim, da popularização da informática, que está revelando bizarrices monstruosas, vide orkut, msn, entre outros. 

Novamente afirmo que as pessoas ainda não perceberam o poder da rede. Por isso existe essa distorção em torno do google. O que ocorre é que o google sempre se mostrou mais acurado que o restante disponível e conquistou espaço.

As pessoas esquecem duas coisas: que a humanidade está evoluindo numa velocidade surpreendente. O crescimento da taxa de produção de conhecimento é ascendente, acentuada no último século. Basta um matemático ter um insight e criar um novo algoritimo, robo, programa, rotina, que seja o que for, que seja melhor que o google, pronto, acabou a ameaça. Daí em diante as ameaças serão outras. Que na verdade, se resume sempre à mesma: O maior inimigo do homem é ele mesmo. E a perpetuação da ignorância. Ela sim é nosso inimigo. A ignorância e as lendas devem ser combatidas e eliminadas, para que a humanidade se supere e vá para outro nível de evolução.

Se você chegou até aqui, aguardo seu comentário. Precisamos urgentemente descobrir como "acordar" o indivíduo para o "aprender a aprender", isto é, incutir na índole da pessoa a buscar pelo conhecimento, não importando o suporte, desde que se tenha o acesso. Discute-se a forma, quando o objeto da discussão deveria ser o meio. Essa é minha opinião. Aguardo a sua.

É isso.

Para finalizar, Buddhist Monkey:


HQ - A Casa do Fim do Mundo - Corben, Revelstroke





A CASA SOBRE O ABISMO, como a obra é chamada nas raras traduções para o português, foi escrita em 1908 pelo britânico Willian Hope Hodgson. Embora não seja tão conhecida como outras obras, serve de influência para todos os autores do gênero, seja pelo texto intenso e bem escrito, pelo horror realmente perturbador que traz ou pela estética inovadora, que mantém a obra bastante atual ainda nos dias de hoje.

Nos Quadrinhos (brasileiros), a obra foi chamada de A CASA DO FIM DO MUNDO, um título bem apropriado para a abordagem da obra nas graphic novels. Adaptar os escritos de Hodgson ficou a cargo de Simon Revelstroke, e seu roteiro ganhou belos traços em preto & branco do desenhista Richard Corben. O nome de Corben, inclusive, figura na parte superior da capa do encadernado, e com justiça: o traço de Corben, apresentando um hiper-detalhismo impressionante, abusa dos fundos pretos e climatiza a história de maneira angustiante, sufocante e pessimista, mas sem nunca tirar a força do protagonista, Lorde Byron Gault. Impossível imaginar alguém mais apropriado para a empreitada.

Mas que a importância de Revelstroke não seja diminuída! O roteirista dá uma abordagem bastante interessante à história, que começa com dois estudantes viajando por vilarejos da Irlanda, se metendo em confusão e fugindo de uma turba enraivecida, para então se embrenharem na mata e acabarem nas ruínas de uma velha mansão e encontrarem o diário de Lorde Gault. Pela leitura desse diário é que se projeta a história que, embora tenha um final diferente do livro, ainda assim é surpreendente.

Uma (feliz) curiosidade deste marco da Arte Seqüencial é a introdução, que foi escrita pelo renomado quadrinista Alan Moore. Moore, que há anos havia cortado relações com a DC Comics, aceitou escrever um texto de abertura (que por si só vale a compra: leiam antes de ir para os Quadrinhos!) por ser fã tanto do livro (e de Hodgson) quanto de Corben e Revelstroke e dos trabalhos que fizeram juntos. No Brasil, A CASA DO FIM DO MUNDO foi publicada pela Editora Opera Graphica.

(retirado e parcialmente editado de HQ STL em 03/04/2009)

2 de abr de 2009

HQ - Sundiata, o Leão de Mali - Will Eisner





Sinopse: Quando o terrível Sumanguru poupou da morte o pequeno príncipe coxo, dizimando o resto do Mali e instaurando um reinado de trevas, não podia imaginar que, anos mais tarde, aquela criança se tornaria um bravo guerreiro. O valente Sundiata será o único homem capaz de liderar um exército para enfrentar as forças do mal e erguer uma nação pacífica.

Embora muito se compare a linguagem dos quadrinhos à do cinema, Sundiata está mais para teatro épico (perfeitamente condizente com a natureza da história em questão). Por ser uma obra voltada para o público infantil e uma lenda antiga, não espere profundas análises introspectivas.

Num reforço ao caráter teatral da obra, há "interpretações" tão precisas dos personagens que é possível entender o essencial só de ler as figuras, descartando as palavras. Essa capacidade de contar histórias através de "imagens pictóricas e outras justapostas em seqüência deliberada" (como define os quadrinhos Scott McCloud, de Desvendando os Quadrinhos, deixando claro que as palavras não são, nem nunca foram, indispensáveis a essa arte, não sendo ela, portanto, um subgênero literário), aliada a uma impecabilidade no trato com a forma, faz de Eisner o "profeta" dos quadrinistas.

A história opõe elementos chaves do gênero humano (com o maniqueísmo que esse tipo de lenda demanda), como arrogância e humildade, tirania e liderança e outros. A personalidade dos antagonistas fica patente por suas feições e expressões, sendo o mocinho o de semblante calmo e traços leves e harmônicos.

Isso não é um defeito, claro. É apenas um modo simples (e deveras eficaz) de apresentar já de início as personagens e suas intenções aos leitores mais jovens, que são o público original. E obviamente não impede que um pai ou irmão mais velho, interessados em quadrinhos, venham a ser introduzidos ao trabalho de Eisner.

(retirado de Universo HQ em 02/04/2009)