7 de dez de 2008

Futebol: Ocupação para Desocupados


Perdoem-me os entusiastas do esporte bretão, mas o Futebol é para mim tão inútil quanto uma droga psicotrópica. Não têm utilidade prática, a não ser destruir o indivíduo e transformá-lo em receptor passivo. Cresci junto a torcedores fanáticos. Tive amigos e parentes "fanáticos", acompanhavam os respectivos times, os campeonatos, sabiam quem era quem e torciam... Meu Senhor, como torciam. E quando ganhavam, era um escândalo, uma felicidade tremeda... Nunca entendi isso. Nunca consegui sentir isso. Minha postura é simples perante o que não conheço. Primeiro, vou atrás de literatura sobre assunto, para saber como pensam os "outros". Depois, experimento, partindo daí a formação de uma opinião. Claro, não precisei experimentar cocaína para saber que não quero papo com ela. O fato de ter acessado informação de outros e presenciar pessoas sob seu efeito, pude formular minha opinião. Atualmente, estou preso à poucas drogas. Cigarro, refrigerante e internet. São meus três vícios. Os dois primeiros, quero me livrar, sei que vou conseguir, é só tomar vergonha e na cara e me enfrentar. Bom, vamos voltar ao assunto.


Um dia, encontrei na lixeira um livro. É gente, na lixeira. Nome do livro? CBF NIKE, As investigações da CPI do Futebol da Câmara dos Deputados desvendam o lado
 oculto dos grandes negócios da cartolagem e passam a limpo o futebol brasileiro. Incrível né? Mas tem mais. O livro é de autoria de Aldo Rebelo e Silvio Torres. O exemplar que estava na lixeira ainda continha mais um detalhe: está autografado pelo próprio Aldo. Sim queridos leitores. Um livro, autografado pelo autor, no lixo. Mal sabia eu que esse livro iria servir de base para questionar o povo brasileiro como civilização. O futebol no Brasil é visto como patrimônio cultural. Assim como o carnaval, o samba, entre outros. Todo entusiasta do futebol deveria ler esse livro. Para perceber o descalabro de sua atitude, dedicar tantas horas de sua existência acompanhando pessoas que nada fazem para acrescentar em sua vida. Afinal, o que o futebol acrescenta em nossas vidas? Nada, não é mesmo?


O futebol não nasceu na Inglaterra, como gostam os puristas. Assim como o milho e a batata (que de inglesa não tem nada), o futebol foi criado por civilizações mesoamericanas.  As regras eram bem parecidas, a principal diferença residia na "bola": a cabeça de um inimigo! Sim, o futebol nasceu com seres humanos chutando a cabeça de outra pessoa. A história deste esporte em nosso país é sórdida, começou com os ingleses, em São Paulo, nos idos de 1890. Até a decada de 20 era um esporte de "elite". Mas a partir daí começou a se popularizar. Logo os intelectuais da época notaram os perigos "escusos" motivos do futebol, como a manipulação da atenção do indivíduo. Dali para frente, o Brasil se tornou a "nação do futebol". Por que isso aconteceu? Ora, muito simples. Não tendo muita opção, o proletariado viu no futebol uma possibilidade de carreira, de renda. Para esta humilde opinião, quem joga futebol ou é político, deveria exercer essas profissões por gosto, não por carreira. Isto é, não deveriam receber qualquer pagamento por isso. Deveria ser voluntário. Pior é saber que a grande maioria da população é suficientemente ignorante para adotar o futebol como estilo de vida. E o governo tira proveito disso. Escancaradamente. Vamos aos exemplos:


Durante a ditadura militar, o futebol foi utilizado para unir a nação, criar um sentimento de patriotismo e união em torno de uma idéia única, a seleção brasileira. "Somos todos Brasileiros". Isso perdurou até a década de 60. Na década de 70, tivemos a imortalização do individualismo hipócrita que realmente impera neste país com o jogador Gérson de Oliveira protagonizando uma campanha de cigarros (notem, um jogador de futebol protagonizando uma campanha de cigarros) e sintetizando a moral brasileira: Gosto de levar vantagem em tudo.


O Impeachment do Presidente Collor nos garantiu várias "Copas do Mundo" seguidas... Afinal, somos os melhores? Será que sou o único que vê isso? Que vê que o povo brasileiro é apático, pouco faz para melhorar e se contenta com o que lhe é oferecido? Se contenta em ver "seu" time campeão? Que diferença prática isso faz na vida de um cidadão? Em que isso serve para iluminar nossa ignorância? Que o mundo é um lugar cruel, eu já sabia. Que era povoado por pessoas más, vis,  isso foi novidade. Se a natureza é dura para com os "selvagens", para com os civilizados ela é sórdida, pois nos põe sob o jugo de pessoas sem caráter...


Tive a sorte de encontrar poucos indivíduos que me ensinaram alguma coisa. Uma das lições mais eficazes que aprendi, foi com um velho sensei japonês. Ganhei uma luta. Ergui os braços e gritei. Ele me chamou para uma conversa. Disse o sensei: Para que você treina? Para agir na hora certa, respondi. Portanto, disse ele, ao utilizar uma técnica que você vêm praticando já a um certo tempo, ela deve funcionar, correto? Correto, respondi. Então, quando você for bem sucedido numa ação, saiba que você não está mais do que cumprindo com sua obrigação. Se você entra numa luta, para que você entra? Para apanhar? Acredito que não. Você entra para vencer. Quem não entra assim numa luta, não ganha. E quem ganha, só está conseguindo realizar seu intento. Isto é, cumprir com sua obrigação. Pense nisso. Obrigado, sensei... E me retirei.


Realmente, penso assim, desde então. Se me disponho à fazer algo, é para fazer muito bem-feito. Caso contrário prefiro não fazer. O resto, é consequência. Portanto, quando vejo pessoas paradas babando na frente de uma televisão vendo 22 idiotas correndo atrás de uma bola, tentando chutar por entre duas traves e travessão e ao conseguirem um monte de indivíduos gritando, comemorando, chorando, agradecendo, fico me perguntando... Será que eu sou o único que vê isso é uma exploração descarada da consciência do indivíduo? Na prática, o futebol não nos torna melhor nem pior. O futebol apenas revela o macaco que somos. E consome parte de nossa existência como ser pensante, afinal assistir uma partida de futebol é jogar 1h30 de existência na latrina.


Obrigado e aguardo sua opinião!